
Por Carol Sanchez a.k.a. Pink
Rodrigo Giannetto vem de uma geração ávida por informação e formas diferentes de expressão. Envolvido desde sempre com o mundo da música, cinema, skate e arte, tem descoberto ao longo dos anos maneiras expressivas de expor seu trabalho. Sua banda de rock “barulhenta”, como ele mesmo chama, o FR!LA, já viajou o Brasil e vez ou outra ainda lança singles e videoclipes. Mas é encabeçando a Real Filmes, produtora de São Paulo que atende todo o Brasil e agora exterior, que ele tem desenvolvido os projetos mais desafiadores e despertando a curiosidade e expectativa geral.
“Nunca pensei em dirigir clipes até o dia que a banda Devotos do Ódio, de Recife, me deu a primeira oportunidade. Gosto de lembrar desse primeiro porque eu não tinha nada de estrutura, apenas idéias. Consegui equipamentos emprestados e editei na casa de um amigo que tinha um PC, que só travava.” conta ele.
Colocando sempre o bom gosto e a criatividade acima do lobby com as grandes corporações, Rodrigo considera um privilégio poder ter acesso a alta tecnologia que hoje está disponível para realizar produções independentes, com liberdade para construir e apresentar idéias inovadoras. Nas mais de 30 produções de videoclipes e 150 shows para TV, ele vivenciou e se aprofundou em uma forte relação de troca entre a música, a linguagem de cinema e a imagem fotográfica.
“Nunca tive nada de mão beijada, sempre foi difícil, mas recompensa vagar pela diversidade audiovisual, criando sonhos, mundos, fotografando pessoas e registrando histórias e lugares. Pessoalmente, vivo o que faço.”

Seus projetos mais atuais foram dois videoclipes que dirigiu em Los Angeles, de uma nova banda chamada CRUZ (muito promissora por sinal), para um dos maiores estúdios do mundo (NRG STUDIOS), em Hollywood.
“Fomos para o Deserto de Nevada, no caminho de Los Angeles para Las Vegas, e encontramos “A Estrada sem volta – ZZXYZ”, onde gravamos uma história de suspense de arrepiar. Essa estrada não chega a lugar algum e nela 12 pessoas já desapareceram. Foi emocionante e com muita adrenalina.”
“Sin City”, como chama o single, terá estréia internacional ainda este ano. Nesse estúdio circulam nomes como Linkin Park, Evanescence, Beastie Boys, No Doubt, Motorhead, Slayer, Incubus, White Zombie, entre muitos outros ícones.
“Me emocionei na primeira vez que entrei nas salas desse estúdio. Fiquei imaginando todos os sons que eu já ouvi, sendo produzidos lá, com vários guitarristas, baixistas e bateristas bons … sem esquecer dos vocalistas! Muito prazer também em conhecer Jay Baumgardner, dono do NRG , produtor lendário que me recebeu muito bem por lá, assim como sua equipe.”
Depois de uma longa jornada na estrada e de muito trabalho, esse ano Giannetto abre a primeira representação da Real Filmes em Los Angeles, Califórnia, colocando aos olhos dos EUA e do mundo a qualidade da produção audiovisual brasileira.
Mas o projeto que sem dúvida vem trazendo maior repercussão no meio artístico, é o seu sonho de infância, chamado “Histórias e Rimas – O Filme / Histories and Rhymes – The Movie”, que está sendo gravado desde janeiro de 2010 e deve ser lançado no Brasil e nos EUA, em 2011. O filme longa-metragem é documental, entra na vida pessoal, expõe histórias guardadas, e revela a essência das rimas dos principais representantes do rap no Brasil, Los Angeles e Nova York, berço do estilo musical, colhendo com espontaneidade os depoimentos desses grandes artistas, americanos e brasileiros.
“Acompanhamos os estilos de vida e registramos o mundo de cada um para descobrir que o rap não é apenas “a cara de mau”, a crítica social e o beat do DJ.. mas amizades, sonhos, lutas, risadas e artistas com estilos de vida tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes. Foi muito bom encontrar com o B.Real do Cypress Hill, lembrando do Marcelo D2, que lembrou do G.O.G., que rimou e lembrou dos Racionais, que foram lembrados também pelo DJ Premier, ou do Zé Gonzales que lembrou do Speedfreaks, que foi citado também pelo Kamau, que contou histórias e também rimou. Histórias cruzadas, inclusive por vidas daqueles que já se foram, como Sabotage, DJ Primo e Speedfreaks, assassinado cerca de um mês depois de gravar para o filme, talvez em seu último registro, muito especial, por Niterói (RJ). Registros que agora ficarão guardados para sempre.”

Para Rodrigo, pessoalmente, durante a produção do filme houve um momento de muita emoção, que foi passar por Crenshaw, guetto de L.A., local da igreja de Stevie Wonder, onde foi com o produtor Rudah Ribeiro, também da Real Filmes de Los Angeles, que o apresentou ao Don Jagwwar.
“Ele compôs com 2Pac, NWA, Ice Cube naquele clássico “Wicked”, com o Anthony Kiedis e o Flea quebrando tudo na cidade, na década de 90 quando estava declarada guerra nas ruas de L.A. pelas gangues. O clipe dessa música é um clássico.”
Encerrando, abre sua opinião sobre a história do hip hop versus a mídia:
“Sei que o rap pode não estar na grande mídia, mas está no Ipod, na periferia, na política, nas brincadeiras de colégio dos ricos e dos pobres, e pretendo juntar as histórias e as rimas, que são a essência desses artistas especiais, para apresentar ao mundo uma história inédita do rap: A história real!”